quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Os Cristãos Deveriam Celebrar O Natal?

Eu compreendo aqueles que querem ser rigorosamente e distintamente Cristãos. Que querem ser libertos do mundo e qualquer raiz pagã que possa repousar sob nossa celebração do Natal, mas não me posiciono da mesma maneira nesta questão porque penso que chega um ponto onde as raízes já estão distantes de tal forma que o significado presente não carrega mais nenhuma conotação pagã. Fico mais preocupado com um novo paganismo que se sobreponha a feriados cristãos.

Eis um exemplo que eu uso: Todo idioma tem raízes em algum lugar. A maioria dos nossos dias da semana [em inglês] —se não todos— saíram de nomes pagãos também. Então deveríamos parar de usar a palavra “Sunday” (domingo) porque ela pode ter estado relacionada à adoração ao sol em um tempo distante? No inglês moderno, “Sunday” (domingo) não carrega aquela conotação, e é a própria natureza do idioma. De certa forma, os feriados são como a linguagem cronológica.

O Natal agora significa que marcamos, no meio cristão, o nascimento de Jesus Cristo. Nós achamos que o nascimento, a morte e a ressurreição de Cristo são os eventos mais importantes na história humana. Não marcá-los de alguma forma, através de uma celebração especial, me parece que seria insensatez.

Eu lembro de ter sido vizinho de um casal nos tempos de seminário que não celebrava os aniversários de seu filho. A ideia era, em parte, que todos os dias eram especiais para o menino. Mas se todos os dias são especiais, então provavelmente significa que não há dias especiais. Contudo, algumas coisas são tão boas e preciosas — como aniversários e até mesmo mortes — que são dignas de serem marcadas. Quão mais o nascimento e a morte de Jesus Cristo!

Realmente vale o risco, mesmo que a data de 25 de Dezembro tenha sido escolhida por causa de sua proximidade com algum tipo de festival pagão. Vamos apenas tomá-la, santificá-la e fazer o melhor com ela, porque Cristo é digno de ser celebrado em seu nascimento.

Não há motivo para escolher outra data. Não vai funcionar.
 
Por John Piper. © Desiring God. Website:desiringGod.org
Tradução: voltemosaoevangelho.com

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

É Possível Ser Perfeito? - Parte 1

É quase unânime entre as pessoas, cristãs ou não, concordar com as frases “ninguém é perfeito” e “errar é humano”. Todos sabem que nós, mesmo depois de salvos, ainda cometemos erros em nossa vida, isto é, muitas vezes nos desviamos da vontade que Deus estabeleceu para nós.

Mas a Bíblia diz: “Sejam perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está no céu”. Aí fica a pergunta: É possível ser perfeito? Sabemos que erramos e a Bíblia diz que temos que ser perfeitos. Será que a Bíblia é mesmo um livro utópico e desatualizado, que estabelece princípios de vida impossíveis de serem seguidos? Ou será que esta mensagem é somente para uns poucos privilegiados que, escolhidos a dedo pelo Senhor, tem um poder especial para serem perfeitos como Ele é?

Bom, eu não acredito que a Palavra de Deus seja para alguns e nem que este mandamento de ser perfeito seja seletivo. Então, onde está a solução para esta aparente incoerência?

Primeiro precisamos analisar e entender o que significa “perfeição”. Para este mundo, perfeição é seguir todas as regras, normas, leis. É nunca errar. Mas será a Bíblia concorda com esta definição?

Analisemos a vida de Noé. Ele foi o homem escolhido dentre toda a raça humana para ser salvo da ira de Deus naquele momento da história. Deus iria destruir toda a humanidade por causa de seu pecado, mas conservou a Noé e sua família. Segundo a Bíblia, ele era homem justo e íntegro entre seus contemporâneos (Gn 6.9). Era perfeito!

Mas depois do dilúvio, Noé embriagou-se numa noite de comemoração e ficou nu diante de sua família. Que vergonha! Um exemplo de homem diante da humanidade, e visto como perfeito, agora enchendo a cara e se despindo na frente dos outros.

Outro exemplo é Davi, o rei ungido por Deus e do qual o Senhor disse: "... achei a Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração..." (Atos 13.22). Davi era um exemplo perfeito para todos nós.

Um dia, porém, Davi deixou seu coração se desviar e cometeu um dos mais horríveis atos da história bíblica. Manteve relações com uma mulher casada, engravidou-a e mandou matar seu marido para esconder seu erro. Só se arrependeu quando um profeta veio adverti-lo.

Meu Deus! Parece que ficou ainda mais confuso, não é! Os grandes homens da Bíblia, considerados perfeitos por Deus, cometeram erros terríveis, que a maioria de nós nunca vai cometer.

Afinal, posso ser perfeito ou não posso?

Continua...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Cristãos Perseguidos. E se fosse você?

A Missão Portas Abertas é uma organização sem fins lucrativos que trabalha no auxílio aos cristãos que são perseguidos em vários países do mundo, como Coréia do Norte, Arábia Saudita, Argélia, entre outros.

Sim! É isso mesmo! Ainda existem cristãos perseguidos por causa de sua fé. Não! Não estou falando de ser alvo de uma piadinha aqui e uma brincadeirinha ali por causa do dízimo ou algo parecido. Estou falando de perseguição religiosa de verdade.

Em mais de 50 países do mundo, cristãos de várias denominações são torturados, presos, impedidos de viver vida social e até caçados e mortos unicamente por aceitarem a Jesus como Salvador e Senhor de suas vidas. Nesses países não há liberdade religiosa. São dominados, em sua maioria, por muçulmanos radicais que tentam impedir o crescimento do cristianismo através de ameaças e violência aos cristãos.

Estupros, assassinatos, espancamentos e outros tipos de violência são cometidos. Adolescentes têm que fugir de casa e, às vezes, da própria cidade para não serem mortos. Isso tudo por serem cristãos.
Mas não há somente violência e brutalidade na vida destes irmãos. Em meio a tanto sofrimento cresce uma fé firme no Salvador. Para os cristãos perseguidos, sofrer por amor a Cristo é um privilégio que nem todos conseguem experimentar.

Suas vidas são um exemplo para nós que vivemos em meio a uma liberdade religiosa tão intensa que acaba se tornando nociva. Nossa perseguição é a nossa liberdade. Sim! Pois o Evangelho pregado no Brasil, em grande parte, serve apenas como um paliativo para o sofrimento e em sua forma mais repugnante e pejorativa, como trampolim para ascender socialmente, um talismã, um manual de como ser bem sucedido.

Precisamos olhar para a Igreja Perseguida e copiar seu exemplo de fé e abnegação. Mas também devemos ajudá-la, pois suas dificuldades são imensas.

Ore por eles, contribua financeiramente, visite algum deles. Eles precisam de nós!

Visite o site da Missão Portas Abertas e saiba como ajudar: www.portasabertas.org.br.


James Russel Lowell

São escravos que temem defender
os que caíram, e esses que são fracos;
São escravos que sempre hão de preferir
aos ódios, às troças, às afrontas,
manter em silêncio uma verdade
que iria obrigá-los a pensar;
São escravos que temem ter razão
se acompanhados só por dois ou três.

Stanzas on Freedom

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A mais bela flor

O estacionamento estava deserto quando me sentei para ler embaixo dos longos ramos de um velho carvalho, desiludido da vida, com boas razões para chorar, pois o mundo estava tentando me afundar.
 
E como se eu não tivesse razão suficiente para arruinar o dia, um garoto ofegante chegou, cansado de brincar. Ele parou na minha frente, cabeça pendente, e disse cheio de alegria:
“Veja o que encontrei!”
 
Na sua mão uma flor – que visão lamentável – pétalas caídas, pouca água ou luz. Querendo me ver livre do garoto com sua flor, fingi pálido sorriso e me virei. Mas ao invés de recuar ele se sentou ao meu lado, levou a flor ao nariz e declarou com estranha surpresa:
“O cheiro é ótimo, e é bonita também… Por isso a peguei; hei-la, é sua.”



A flor à minha frente estava morta ou morrendo, nada de cores vibrantes como laranja, amarelo ou vermelho, mas eu sabia que tinha que pegá-la, ou ele jamais sairia de lá. Então me estendi para pegá-la e respondi:
“O que eu precisava.”



Mas, ao invés de colocá-la na minha mão, ele a segurou no ar sem qualquer razão. Nessa hora notei, pela primeira vez, que o garoto era cego, que não podia ver o que tinha nas mãos. Ouvi minha voz sumir, lágrimas despontaram ao sol enquanto lhe agradecia por escolher a melhor flor daquele jardim.

“De nada”, ele sorriu, e então voltou a brincar sem perceber o impacto que teve em meu dia.



Sentei-me e me pus a pensar como ele conseguiu enxergar um homem auto-piedoso sob um velho carvalho. Como ele sabia do meu sofrimento auto-indulgente? Talvez no seu coração ele tenha sido abençoado com a verdadeira visão.


Através dos olhos de uma criança cega, finalmente entendi que o problema não era o mundo, e sim eu. E por todos os momentos em que eu mesmo fui cego, agradecido a Deus por ver a beleza da vida, e apreciei cada segundo que é só meu. Então levei aquela feia flor ao meu nariz e senti a fragrância de uma bela rosa. Sorri enquanto via aquele garoto, com outra flor em suas mãos, prestes a mudar a vida de um insuspeito senhor de idade.

Autor Desconhecido

sábado, 27 de novembro de 2010

Sepulcros Caiados...

Quantas vezes em nossas vidas deixamo-nos vencer pelo farisaísmo!
Quantas vezes escolhemos obedecer regras que nos tornam aparentemente aceitáveis para as pessoas ao nosso redor.
Queremos ser aceitos. Queremos parecer com os do grupo. Queremos a aprovação daqueles que nos rodeiam.

Assim nos sentimos seguros. É nos escondendo atrás de máscaras que encobrem quem nós realmente somos que nos afundamos cada vez mais numa hipocrisia religiosa que prioriza a aparência em detrimento da sinceridade e da humildade.

Temos medo de mostrar quem somos. Temos pavor de que as pessoas descubram nossos mais íntimos segredos e desejos. Vivemos mentindo num jogo que nos leva pra mais longe de Deus e de nós mesmos.

Sepulcros caiados...

Nosso exterior está reluzente e com aparência saudável. Nosso interior, porém, é tão podre quanto o interior de um sepulcro. Mas o importante é que ninguém veja. O importante é que nenhum de nosso grupo saiba que somos sujos e pecadores, terríveis pecadores!

Quanta ignorância!!!

Se conhecêssemos a Palavra. Se pelo menos lêssemos a Bíblia de vez em quando saberíamos que não há nada de extraordinário em ser um pervertido. Todos somos! Todos estamos debaixo do mesmo jugo e merecemos o inferno por causa de nossos pecados.

Não há ninguém neste mundo que não seja um pecador. Não existe ninguém que ame a Deus. Todos odiamos ao nosso Criador. Todos gostaríamos que Ele não existisse para que pudéssemos viver nossas vidas pervertidas e longe do bem.

Não precisamos esconder nossos erros. Não precisamos viver uma vida hipócrita e de aparência.
Precisamos mostrar quem realmente somos!
Precisamos nos humilhar diante de Deus porque apesar de sermos inimigos Dele, Ele  nos amou com um amor maior que tudo neste mundo e nos deu Seu Filho Jesus Cristo para que nosso pecado fosse apagado.

Apesar de não merecermos, Jesus mostrou Seu amor para conosco morrendo na cruz e pagando a dívida que tínhamos com Deus. Hoje somos livres! Somos libertos da culpa e do poder do pecado. Somos novas pessoas!

Mas ainda somos seres humanos e estamos sujeitos a errar. TODOS estamos!!!
Então, por que nos escondermos atrás de uma religiosidade e assumirmos o papel de super-heróis, tentando mostrar para o mundo que somos perfeitos?

Não precisamos disso! Somos livres! Somos dependentes de Deus!

Liberte-se da hipocrisia religiosa!

Seja humilde pois Deus irá exaltar você!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Tapeceiro

Há um tempo postei um texto no qual critico a qualidade das letras das músicas gospel atuais. Recebi alguns comentários pessoalmente de alguns irmãos concordando com a crítica. Existe uma infinidade de cantores e artistas evangélicos e a qualidade técnica evoluiu bastante. Em contrapartida, a mensagem das músicas tem se tornado a cada dia mais diferente da mensagem do evangelho.

É triste ver como os cristãos estão se dobrando diante de um mercado capitalista, que usa o nome de Jesus para se promover. Enquanto isso vemos a arte, em seu sentido mais amplo e bonito, desaparecendo. Aceitamos todo o lixo importado e nos esquecemos de valorizar o que existe de melhor em nosso país.

Mas graças a Deus que ainda existem pessoas sensatas e inspiradas pelo Espírito Santo para compor músicas que realmente falam à nossa alma. Um exemplo é a música lindíssima do Stênio Marcius, chamada O Tapeceiro. Toda vez que ouço esta canção, sinto Deus falando ao meu coração e me ensinando que, assim como num tapete há linhas claras e escuras, há cores alegres e vivas, mas também nubladas e tristes, assim é a nossa vida. Passamos por momentos de alegria e prazer e por momentos de sofrimento e angústia. Mas temos uma certeza: que o Tapeceiro está no controle de toda nossa vida, tecendo nosso caráter para que sejamos cada dia mais parecidos com Ele. Assista a esse vídeo e medite em tudo o que ouvir. Deus os abençoe!

Meu Socorro


Quantas páginas já foram viradas
Quantas lágrimas derramadas
Parece tudo tão grande neste mundo tenebroso
Quando não olhamos para o alto

O mar põe-se à frente
As montanhas enfileiradas ao lado
O inimigo persegue-nos com fúria
Tudo parece perdido

O coração fica apreensivo
De onde me virá o socorro
E a Palavra que me garante
O meu socorro vem do Senhor

Que fez o céu e a terra
Que fez a vida e a morte
Que fez a vitória e a derrota
Pois em tudo devo dar graças

Não há força que segure
Não há vento que o pare
Pois Ele é o dono de tudo
Ele é o dono do mundo

E quando sinto que a vida
Já não quer mais viver
Olho para o alto dos montes
O meu socorro vem no Senhor 

Por que a Igreja é perseguida?

A história da Igreja de Deus tem sido sempre, desde a era apostólica até o presente, a história da graça divina no meio dos erros dos homens. Muitas vezes se tem dito isso e, qualquer pessoa que examine essa história com atenção não pode deixar de se convencer que assim é.

Lendo as Epístolas do Novo Testamento vemos que mesmo nos tempos apostólicos o erro se manifestou, e que a inimizade, as contendas, as iras, as brigas e as discórdias, com outros males, tinham apagado o amor no coração de muitos crentes verdadeiros.

Deixaram as suas primeiras obras e o seu primeiro amor e, alguns que tinham principiado pelo espírito, procuravam depois ser aperfeiçoados pela carne.

Mas havia muito mais do que isso. Não somente existiam alguns verdadeiros crentes em cujas vidas se viam muitas irregularidades, e que procuravam, pelas suas palavras, atrair discípulos a si, como também havia outros que não eram de modo algum cristãos, mas que entraram despercebidamente entre os irmãos, semeando ali a discórdia. Isto descreve o estado de coisas a que se referem os primeiros versículos do capítulo dois de Apocalipse, na carta escrita ao anjo da igreja em Éfeso.

Tempos de Perseguição

Porém estava para chegar um tempo de perseguição para a Igreja, e isso foi permitido pelo Senhor, na sua graça, afim de que se pudessem distinguir os fiéis.
Esta perseguição, instigada pelo imperador romano Nero, foi a primeira das dez perseguições gerais que continuaram, quase sem interrupção, durante três séculos.

“Por que razão permite Deus que o seu povo amado sofra assim?” Muitas vezes se tem feito esta pergunta, e a resposta é simples: é porque Ele ama esse povo. Podia haver, e sem dúvida há outras razões, porém a principal é esta: Ele o ama. “Porque o Senhor corrige o que ama” e se o coração se desviar, tornar-se-á necessária a disciplina.

Com que facilidade o mal se liga, mesmo ao melhor dos homens! Mas, na fornalha da aflição, a escória separa-se do metal precioso, sendo aquela consumida. Ainda mais, quando suportamos a correção de Deus, ele nos trata como filhos; e se sofremos com paciência, cada provocação pela qual Ele nos faz passar dará em resultado mais uma benção para a nossa alma. Tal experiência não nos é agradável, nem seria uma provocação se o fosse, porém, à noite de tristeza sucede a manhã de alegria, e dizemos como o salmista Davi: “Foi bom para mim, ter sofrido aflição”.

Este texto foi retirado do livro História do Cristianismo, de A. Knight e W. Anglin, lançado pela editora CPAD.

Minhas Conclusões:

O texto diz que a perseguição veio para corrigir, para purificar. Isso nos faz pensar na situação da igreja evangélica brasileira atualmente. Uma igreja grande em número, mas com tão pouca influência positiva na sociedade. Uma igreja que está quase na contramão do caminho que Deus planejou.

Vemos a igreja evangélica chegar aos canais de televisão até em horário nobre, às rádios. Temos arsenais de bíblias de estudo e livros (a maioria de auto-ajuda), DVD´s, CD´s, mega shows, mega espetáculos, uma grande rede de entretenimento gospel, cruzeiro gospel, restaurante gospel. Vemos a construção de mega igrejas com suas imensas estruturas. Eventos e mais eventos, encontros, shows, palestras (a maioria sobre dinheiro). Mas não vemos nada mudar na sociedade.

O jeito gospel de viver está conquistando cada vez mais as pessoas. Criou-se um grande mercado que usa o nome de Jesus para vender e as pessoas estão chamando isso de avivamento.

Por que será que falamos tanto de Jesus, mas é tão difícil ver Jesus em alguém. Será que não estamos como aqueles que no último dia irão dizer: “Senhor, nós profetizamos em Teu nome, Senhor, nós vendemos cd´s e dvd´s em teu nome, vendemos livros, água mineral, casa própria, seguro de vida e a marca da minha igreja. Tudo em teu nome! Mas infelizmente ele dirá: “Nunca vos conheci”.

Será que a igreja brasileira não está precisando de um pouco de perseguição? Longe de mim desejar isso. Mas às vezes fico pensando onde vamos parar com toda essa bagunça. Construímos um mundo pra nós e nos afastamos do mundo onde o Senhor Jesus nos mandou ser sal e luz. Criamos nossa música, nossa roupa, nosso jeitinho, nossos impérios enquanto o mundo vive na escuridão.

Acho que está na hora do fogo purificador de Deus passar pelas nossas vidas. Passar pela igreja brasileira. Não para destruí-la, mas para retirar as impurezas. Que Deus nos ajude a compreender Sua Palavra e nos achegar a Ele enquanto é tempo!

Nossa Música Louva a Deus? - Parte 4

A Influência da Música

A música sempre fez parte da vida do ser humano. Seja como arte ou ritual religioso, a música esteve presente em todas as eras, inserida no cotidiano da raça humana.
Na liturgia dos cultos cristãos, ela sempre exerceu importante papel, porém, nunca ocupou tanto espaço em nossas reuniões como agora. Depois do surgimento do chamado “mercado da música gospel”, a música religiosa saiu dos limites dos templos e invadiu as rádios, tv´s e os palcos das casas de shows.

Hoje são normais as estrelas da música gospel, artistas que se dizem ministros de louvor e que levam multidões eufóricas aos seus shows. Tem ídolo gospel, fã-clube gospel, show gospel, tietagem gospel e muito mais.

É importante que a música tenha sido contextualizada para alcançar mais jovens e pessoas de todas as classes sociais. O que devemos nos preocupar é com a banalização do louvor. Nem tudo que se toca nas rádios e shows serve para o culto. As letras das músicas nem sempre trazem em sua essência o louvor e a adoração a Deus.

Precisamos tomar cuidado para que o crescimento da igreja evangélica no Brasil não destrua a espiritualidade e o discernimento. Nós não precisamos abrir mão dos princípios bíblicos e da seriedade para alcançar os perdidos. Aliás, se não observarmos os mandamentos de Deus nem estaremos alcançando os perdidos, mas somente convencendo-os a mudar de religião. As pessoas não esperam que façamos bailes gospel. Elas não esperam uma igreja que fica tentando se igualar ao mundo para poder alcançá-lo. As almas querem e precisam ouvir a verdade! Precisam ser conscientizadas de sua situação diante de Deus e saber que Jesus Cristo é o único caminho que pode conduzi-las e Ele.

Através da música podemos fazer isso!
Nosso louvor precisa louvar a Deus e ao mesmo tempo, falar com os perdidos. Falar da situação do homem pecador, da graça e do amor de Deus, da morte e sacrifício de Jesus, da santificação e da vida com Deus, da volta do nosso Salvador!

Veja a diferença de alguns hinos antigos e compare com os hits do momento. Não estou dizendo que só os hinos antigos é que são bons. Há muitas músicas que realmente louvam a Deus, mas compare e veja a diferença.

“Foi na cruz, foi na cruz, onde um dia eu vi meu pecado castigado em Jesus”, “Sim, neste sangue lavado, mais alvo que a neve serei”, “Vem a Jesus sem demora, crê no Filho de Deus”, “Já sei, já sei, comprado com sangue eu sou”.

Precisamos nos preocupar com aquilo que estamos cantando e ser mais críticos com as letras que tem o propósito de louvar a Deus. Assim estaremos agradando ao nosso Deus e crescendo como Igreja.

Nossa Música Louva a Deus? - Parte 3

Ênfase Exagerada Ao Sobrenatural

Um outro problema nas letras das músicas evangélicas atuais é a ênfase dada ao sobrenatural. Palavras como milagre, fogo, poder, unção, mistério, manto e glória, entre outras, são largamente encontradas nos “hinos” hodiernos.
As emoções estão em primeiro plano. Confunde-se espiritual com místico e até com supersticioso.

As letras ressaltam de maneira exagerada e supersticiosa os milagres de Jesus, a manifestação do poder e da presença de Deus, os dons do Espírito Santo, os ministérios dados por Deus, a unção e a proteção de Deus sobre cada crente e a atuação do Espírito Santo na igreja. Além de confundir totalmente a atuação da milícia angelical, criando funções para os anjos segundo a criatividade do compositor, sem o menor apoio bíblico-teológico.

Estes assuntos e outros mais são tratados nas músicas sem a menor preocupação com a doutrina cristã. Muitas destas músicas são feitas por pessoas sem nenhuma formação teológica e musical, além de pouco conhecimento bíblico. Isso resulta no que vemos hoje na música cristã brasileira. Letras sem nenhum conteúdo de qualidade e com erros doutrinários gritantes. Letras que não tratam o sobrenatural da maneira correta, espiritualizando coisas naturais e banalizando a fé.

Eis alguns exemplos:
“500 graus de puro fogo santo e poder”, “quem mexer com crente ungido vai com a cara na poeira”, “determine, determine, determine a benção”, “recebe a cura, recebe a unção, unção de ousadia, unção de conquista, unção de multiplicação”, “quando a glória da igreja sobe, a glória de Deus desce”, “o varão do movimento acabou de chegar”, “vai haver um reboliço aqui neste lugar”, “se quiser receber é só glorificar”, etc.

Geralmente, este tipo de música, que dá ênfase exagerada ao sobrenatural, era mais cantada nas igrejas pentecostais, em ritmo de forró. Quando entoada, a igreja entrava no “manto”, como muitos dizem. Este “manto” significa que todos devem começar a gritar “glória a Deus” e “aleluia” o mais alto que puderem, pular e rodopiar até cair no chão e rolar pra lá e pra cá ou até mesmo se arrastar.

Hoje em dia, o forró não está mais em alta. Agora, predominam os ritmos chamados de “adoração”, que trazem letras repetitivas como um mantra.

A mesma coisa acontece quando estas músicas são entoadas. Com o surgimento das igrejas neo-pentecostais, também vieram outros modismos, como a unção do riso ou benção de toronto, a unção dos quatro seres, a unção do leão, a da lagartixa, entre outras. É muito difícil notar a diferença, hoje, entre uma igreja pentecostal e uma neo-pentecostal. A não ser por algumas exceções. A maioria das igrejas viraram cópias das cópias das cópias. Não há mais identidade. Assim acontece com a música. A maioria fala das mesmas coisas, são “meras repetições”. O que importa é vender!

Nossa Música Louva a Deus? - Parte 2

Antropocentrismo

Em minha opinião, o maior problema na música evangélica são as letras antropocêntricas, isto é, letras que tratam, em sua essência, das necessidades da vida humana. O que não é correto, pois a canção deveria falar de Jesus e do evangelho.

Essas letras antropocêntricas, mescladas com uma forte pitada de triunfalismo, transformam-se em mensagens de auto-ajuda, que em nada edificam a igreja.

Geralmente falam de vitória, de milagres, de curas e prosperidade. Colocam o crente como alguém intocável e o exaltam ao ponto de se achar tão especial que jamais sofrerá as aflições deste mundo. E o pior, achar que ele é maior do que os outros porque é “ungido de Deus”. Ninguém pode tocá-lo, ninguém pode persegui-lo, nem maltratá-lo. Se alguém o fizer, será castigado severamente por Jeová.

Este problema atinge principalmente os pentecostais. Geralmente, quando estas músicas triunfalistas são cantadas, a igreja sente muito a “presença de Deus” ou entra no “reteté”, como se diz por aí, no meio do povo de Deus.
Um exemplo é a letra da música Sabor de Mel, que é um dos maiores sucessos do momento. Apesar de possuir algumas frases corretas, esta música traz uma mensagem totalmente deturpada da vida cristã e de quem é Deus.

O crente não está livre do sofrimento e da perseguição. Pelo contrário, Jesus mesmo afirmou que seriamos perseguidos por causa do Seu nome. Além de apresentar Deus como um Papai Noel, esta música traz um “sabor de vingança” e não de mel. Analise o trecho:

“Quem te viu passar na prova e não te ajudou
Quando ver você na benção vão se arrepender
Vai estar entre a platéia e você no palco
Vai olhar e ver Jesus brilhando em você”

Além de conter erros de ortografia, a música tenta provocar um desejo de vingança para quem está sendo perseguido. Quando ele alcançar a suposta vitória de Deus, vai poder exibir o troféu para todos os que o maltrataram. Meu Deus, onde está o evangelho de Cristo aí?

Como estas, existem muitas outras que exaltam o ser humano e colocam a Deus como um empregado. Seguindo o ritmo das pregações (?) triunfalistas e antropocêntricas, este tipo de música sempre traz frases como: “Deus vai te exaltar entre os seus irmãos”, “Eu declaro toda sorte de benção sobre a tua casa”, “Eu profetizo a vitória sobre a tua vida” “Eu quero de volta o que é meu”, “Determine a benção” “Ouse sonhar”, “Não desista dos teus sonhos” “Quem tem promessa não morre”, “Deus vai cumprir tudo o que tem te prometido”, “Você é mais que vencedor” “Hoje o meu milagre vai chegar”, entre muitas outras.

O número de músicas deste tipo é tão grande que se fossem enumerar os exemplos, ocuparia um grande espaço.
A igreja evangélica brasileira está sendo bombardeada com este tipo de mensagem nas músicas. Pouco se fala de Cristo e, quando se fala, é para ressaltar o que Ele pode fazer pelas pessoas. Os cantores não cantam mais hinos sobre a queda do homem e o amor de Deus em enviar seu único Filho para salvá-lo, sobre a volta de Jesus, sobre o amor ao próximo. Quando eles falam destes assuntos, utiliza-se de sensacionalismo e especulações.

Trocaram a simplicidade da Palavra de Deus pela psicologia de auto-ajuda. Os púlpitos viraram palcos para shows. Os ministros agora são artistas que massageiam o ego de uma platéia interesseira, cantando o que ela quer ouvir, enquanto ela contribui com gordas ofertas para que os ministros a deixem em paz. É a cultura hedonista de uma sociedade que acredita que o certo é aquilo que a faz feliz.

Uma sociedade que não se preocupa mais com a vontade de Deus. Uma sociedade que vê o Senhor como o gênio da lâmpada, a igreja como um shopping center de bênçãos e a oração como uma moeda de troca, usada em beneficio próprio. A fé é um amuleto para satisfazer os desejos egoístas e a Bíblia, um manual de como ser bem sucedido na vida.

Meu Deus! É tão difícil dizer estas coisas!

Queria que não fosse verdade. Infelizmente é a realidade da igreja evangélica brasileira. Uma igreja que tem inchado a cada dia, sem qualidade, sem ensino da Palavra. Uma igreja cheia de artistas (no sentido pejorativo da palavra). Cheia de mercenários tentando se promover à custa da ignorância do povo.

Nossa Música Louva a Deus? - Parte 1

O debate sobre a música no meio evangélico parece que é interminável.

Muitas são as questões que envolvem esta discussão e congestionam fóruns na internet. Há várias teses e refutações, porém, poucas vezes se chega a um consenso sobre este tema.

  •        Qual o ritmo certo para o louvor?
  •        Podem-se utilizar todos os instrumentos para adorar a Deus?
  •       Dança na igreja é correto?
  •        Cantar música secular é pecado?

   
Embora para as pessoas mais esclarecidas estas perguntas pareçam irrelevantes, a maioria dos evangélicos se perde nestas questões. Há muito legalismo de uma parte e um liberalismo exagerado de outra.
Se em algumas igrejas é proibido o uso de instrumentos como bateria e guitarra, em outras as baladas de funk e música eletrônica substituem os cultos.

A Bíblia afirma que o povo perece por falta de conhecimento. E ainda diz: “errais por não conhecer as escrituras e nem o poder de Deus”. Falta ensino bíblico nas igrejas. Falta interesse em aprender.

Mas não são as questões de ritmo e instrumentos que quero colocar em pauta nesta postagem.

Quero discutir com os amados leitores a qualidade das letras das músicas que circulam no meio evangélico. As cantadas nas igrejas e as gravadas nos cd´s. Se bem que hoje as músicas mais cantadas nas igrejas são aquelas dos cd´s mais vendidos.

É impressionante como a maioria das músicas feitas para louvar a Deus está bem longe do verdadeiro louvor. Suas letras são pobres de conteúdo e sua essência nada tem a ver com o evangelho de Cristo.

O Amor é o Dom Supremo em Missões

Meditação Missionária em 1 aos Coríntios 13

1 – Ainda que eu tenha estudado a lingüística e saiba falar os dialetos de cada povo da Terra, além de falar as línguas dos anjos, se eu não tiver amor pelos povos não alcançados, o meu falar será apenas um barulho como o de um gongo ou como um som de um sino tocando.

2 – Mesmo que eu tenha o dom de profetizar e conheça toda a antropologia científica, a cultura e os costumes de cada país e tenha fé suficiente para mover todas as barreiras culturais, se eu não tiver amor pelas pessoas eu não sou nada.

3 – Poderia trazer muitas doações internacionais e até mesmo dar todas as coisas que eu tenho aos necessitados que estão nas regiões mais carentes do mundo, entregando meu próprio corpo para ser queimado pelo frio ou mesmo pela perseguição da Jihad, se eu não tiver amor, isso de nada me adiantaria.

4 – O amor é paciente perante as diferenças culturais e bondoso para com as pessoas de outros contextos religiosos e sociais, o amor não arde em ciúmes de outros missionários que recebem mais apoio de suas igrejas de origem, nem de outras denominações que estejam no mesmo campo, nem se sente orgulhoso em cumprir o que acima de tudo é nosso dever e também não é vaidoso quando o trabalho cresce.

5 – Não busca seu próprio reino e não age com segundas intenções com os nativos. Não se irrita com os perseguidores, nem fica magoado com as lideranças religiosas nacionais.

6 – O amor não se alegra ao presenciar as pessoas sofrendo pela sua desobediência ao Evangelho, mas se alegra quando a verdade é pregada e cumprida pelos pecadores.

7 – Sofre com o desconforto de um lugar sem desenvolvimento, mas crê que Deus fará realizar-se sua vontade soberana e espera ver toda aquela tribo ou povoado convertido suportando tudo.

8 – O amor é eterno, os cursos missionários, hoje tão necessários, não! A linguística, os dons, o estudo antropológico e social passarão com todas as demais matérias de missões.

9 – Hoje não sabemos tudo sobre missões, assim como muito pouco sabemos sobre os dons do Espírito.

10 – Mas quando Ele voltar, o “Desejado das Nações”, nossa falta de conhecimento não será mais problema perante o Sumo Missionário.

11 – No início de nossa experiência missionária, quantas vezes agimos como crianças, com atitudes tão infantis, mas agora como obreiros maduros e experimentados no trabalho passamos nosso conhecimento aos jovens aspirantes ao campo.

12 – Mas mesmo amadurecendo nunca poderemos ver as coisas espirituais com toda a clareza que gostaríamos, porém chegará o dia em que Deus nos explicará face a face tudo o que nos ocorreu no campo missionário. Agora conheço somente em parte o motivo daqueles problemas que enfrentei, mas naquele dia conhecerei os detalhes, assim como eu sou conhecido por Deus.

13 – Finalmente, em qualquer tipo de trabalho missionário, seja lá o campo que for, devem permanecer na Igreja, sempre a fé no único Deus que criou as nações, a esperança que todas elas se converterão até os confins da Terra e o amor a cada pessoa de cada grupo étnico. E não esqueça que a Paixão pelas almas é a virtude mais importante.

Aldacyr Rodrigues Mota
África – 1992, com algumas adaptações.