quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Nossa Música Louva a Deus? - Parte 2

Antropocentrismo

Em minha opinião, o maior problema na música evangélica são as letras antropocêntricas, isto é, letras que tratam, em sua essência, das necessidades da vida humana. O que não é correto, pois a canção deveria falar de Jesus e do evangelho.

Essas letras antropocêntricas, mescladas com uma forte pitada de triunfalismo, transformam-se em mensagens de auto-ajuda, que em nada edificam a igreja.

Geralmente falam de vitória, de milagres, de curas e prosperidade. Colocam o crente como alguém intocável e o exaltam ao ponto de se achar tão especial que jamais sofrerá as aflições deste mundo. E o pior, achar que ele é maior do que os outros porque é “ungido de Deus”. Ninguém pode tocá-lo, ninguém pode persegui-lo, nem maltratá-lo. Se alguém o fizer, será castigado severamente por Jeová.

Este problema atinge principalmente os pentecostais. Geralmente, quando estas músicas triunfalistas são cantadas, a igreja sente muito a “presença de Deus” ou entra no “reteté”, como se diz por aí, no meio do povo de Deus.
Um exemplo é a letra da música Sabor de Mel, que é um dos maiores sucessos do momento. Apesar de possuir algumas frases corretas, esta música traz uma mensagem totalmente deturpada da vida cristã e de quem é Deus.

O crente não está livre do sofrimento e da perseguição. Pelo contrário, Jesus mesmo afirmou que seriamos perseguidos por causa do Seu nome. Além de apresentar Deus como um Papai Noel, esta música traz um “sabor de vingança” e não de mel. Analise o trecho:

“Quem te viu passar na prova e não te ajudou
Quando ver você na benção vão se arrepender
Vai estar entre a platéia e você no palco
Vai olhar e ver Jesus brilhando em você”

Além de conter erros de ortografia, a música tenta provocar um desejo de vingança para quem está sendo perseguido. Quando ele alcançar a suposta vitória de Deus, vai poder exibir o troféu para todos os que o maltrataram. Meu Deus, onde está o evangelho de Cristo aí?

Como estas, existem muitas outras que exaltam o ser humano e colocam a Deus como um empregado. Seguindo o ritmo das pregações (?) triunfalistas e antropocêntricas, este tipo de música sempre traz frases como: “Deus vai te exaltar entre os seus irmãos”, “Eu declaro toda sorte de benção sobre a tua casa”, “Eu profetizo a vitória sobre a tua vida” “Eu quero de volta o que é meu”, “Determine a benção” “Ouse sonhar”, “Não desista dos teus sonhos” “Quem tem promessa não morre”, “Deus vai cumprir tudo o que tem te prometido”, “Você é mais que vencedor” “Hoje o meu milagre vai chegar”, entre muitas outras.

O número de músicas deste tipo é tão grande que se fossem enumerar os exemplos, ocuparia um grande espaço.
A igreja evangélica brasileira está sendo bombardeada com este tipo de mensagem nas músicas. Pouco se fala de Cristo e, quando se fala, é para ressaltar o que Ele pode fazer pelas pessoas. Os cantores não cantam mais hinos sobre a queda do homem e o amor de Deus em enviar seu único Filho para salvá-lo, sobre a volta de Jesus, sobre o amor ao próximo. Quando eles falam destes assuntos, utiliza-se de sensacionalismo e especulações.

Trocaram a simplicidade da Palavra de Deus pela psicologia de auto-ajuda. Os púlpitos viraram palcos para shows. Os ministros agora são artistas que massageiam o ego de uma platéia interesseira, cantando o que ela quer ouvir, enquanto ela contribui com gordas ofertas para que os ministros a deixem em paz. É a cultura hedonista de uma sociedade que acredita que o certo é aquilo que a faz feliz.

Uma sociedade que não se preocupa mais com a vontade de Deus. Uma sociedade que vê o Senhor como o gênio da lâmpada, a igreja como um shopping center de bênçãos e a oração como uma moeda de troca, usada em beneficio próprio. A fé é um amuleto para satisfazer os desejos egoístas e a Bíblia, um manual de como ser bem sucedido na vida.

Meu Deus! É tão difícil dizer estas coisas!

Queria que não fosse verdade. Infelizmente é a realidade da igreja evangélica brasileira. Uma igreja que tem inchado a cada dia, sem qualidade, sem ensino da Palavra. Uma igreja cheia de artistas (no sentido pejorativo da palavra). Cheia de mercenários tentando se promover à custa da ignorância do povo.

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