Ênfase Exagerada Ao Sobrenatural
Um outro problema nas letras das músicas evangélicas atuais é a ênfase dada ao sobrenatural. Palavras como milagre, fogo, poder, unção, mistério, manto e glória, entre outras, são largamente encontradas nos “hinos” hodiernos.
As emoções estão em primeiro plano. Confunde-se espiritual com místico e até com supersticioso.
As letras ressaltam de maneira exagerada e supersticiosa os milagres de Jesus, a manifestação do poder e da presença de Deus, os dons do Espírito Santo, os ministérios dados por Deus, a unção e a proteção de Deus sobre cada crente e a atuação do Espírito Santo na igreja. Além de confundir totalmente a atuação da milícia angelical, criando funções para os anjos segundo a criatividade do compositor, sem o menor apoio bíblico-teológico.
Estes assuntos e outros mais são tratados nas músicas sem a menor preocupação com a doutrina cristã. Muitas destas músicas são feitas por pessoas sem nenhuma formação teológica e musical, além de pouco conhecimento bíblico. Isso resulta no que vemos hoje na música cristã brasileira. Letras sem nenhum conteúdo de qualidade e com erros doutrinários gritantes. Letras que não tratam o sobrenatural da maneira correta, espiritualizando coisas naturais e banalizando a fé.
Eis alguns exemplos:
“500 graus de puro fogo santo e poder”, “quem mexer com crente ungido vai com a cara na poeira”, “determine, determine, determine a benção”, “recebe a cura, recebe a unção, unção de ousadia, unção de conquista, unção de multiplicação”, “quando a glória da igreja sobe, a glória de Deus desce”, “o varão do movimento acabou de chegar”, “vai haver um reboliço aqui neste lugar”, “se quiser receber é só glorificar”, etc.
Geralmente, este tipo de música, que dá ênfase exagerada ao sobrenatural, era mais cantada nas igrejas pentecostais, em ritmo de forró. Quando entoada, a igreja entrava no “manto”, como muitos dizem. Este “manto” significa que todos devem começar a gritar “glória a Deus” e “aleluia” o mais alto que puderem, pular e rodopiar até cair no chão e rolar pra lá e pra cá ou até mesmo se arrastar.
Hoje em dia, o forró não está mais em alta. Agora, predominam os ritmos chamados de “adoração”, que trazem letras repetitivas como um mantra.
A mesma coisa acontece quando estas músicas são entoadas. Com o surgimento das igrejas neo-pentecostais, também vieram outros modismos, como a unção do riso ou benção de toronto, a unção dos quatro seres, a unção do leão, a da lagartixa, entre outras. É muito difícil notar a diferença, hoje, entre uma igreja pentecostal e uma neo-pentecostal. A não ser por algumas exceções. A maioria das igrejas viraram cópias das cópias das cópias. Não há mais identidade. Assim acontece com a música. A maioria fala das mesmas coisas, são “meras repetições”. O que importa é vender!
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