quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O que aconteceu com a Igreja? - Parte 3

A Confissão Positiva é um tipo de ensino que deixa bem claro que não devemos aceitar nenhum tipo de mal em nossas vidas. Aceitar doenças ou miséria é demonstração de incredulidade ou fraqueza espiritual. Dizem que temos o direito à cura, a comer o melhor desta terra. E chegam ao mais absurdo: declarar sem o mínimo de receio ou temor que Deus é OBRIGADO a nos abençoar se formos obedientes.

Que evangelho é esse que coloca a criatura como dona de seu criador, ao ponto de poder exigir as suas bênçãos?
Que ensino é esse que tira a responsabilidade das pessoas por suas próprias vidas, afirmando que suas enfermidades são demônios e seus pecados são culpa do Diabo?

Que cristianismo é esse que coloca Deus somente como um distribuidor de presentes para uma massa ávida por satisfazer seus mais insanos desejos e sonhos.
Quero a minha casa com tal piso, com tantos quartos, no lugar tal e o Senhor tem que me ouvir, pois eu sou dizimista fiel, sou ofertante. Não aceito menos do que isso. Eu declaro! Eu profetizo! Eu determino!

As mensagens , tanto pregadas quanto das músicas, são meras variações de um mesmo tema. Tudo é igual. Só se ouve falar de sonhos, de milagres, de vitória!
Pregadores preguiçosos não estudam, nem dedicam tempo ao preparo da mensagem. Quando vão pregar, preenchem o tempo com clichês e gritarias. As frases feitas que todos já decoraram. A igreja parece gostar dessas frases e vão ao delírio quando o pregador grita (estufando as veias do pescoço e quase perdendo a voz já no começo da pregação) que o milagre vai acontecer, que a benção vai chegar, que tem anjo de fogo na porta, no meio da igreja, em cima do altar, que hoje o fogo vai pegar e que só vai receber aquele que gritar glória a Deus, porque quando a igreja manda glória pra cima, Deus manda glória pra baixo. Só não sei onde eles encontram essas coisas na Bíblia!

Depois desta introdução bombástica aí começa a seção “Olhe pro irmão que está do seu lado e diga...”.
Depois de várias repetições e mais alguns gritos, quando já se foram uns vinte minutos e nenhuma edificação, o pregador começa a contar uma história da Bíblia, contextualizando-a ao máximo, para imitar o pregador famoso.

A pregação segue no mesmo estilo: “sua benção vai chegar”, “o anjo está com a bandeja na mão”, “seus inimigos vão aplaudir de pé a sua vitória”, “seus sonhos vão acontecer”, “não desista dos seus sonhos”...

Assim acontece até quase o final, quando começa a seção “retété”. O pregador diz que não vai mais pregar porque a glória de Deus é muito grande e ele não consegue mais pregar (na verdade ele não tem nada para dizer, porque não leu a Bíblia e nem preparou a pregação). Então ele começa a atacar alguns crentes que não foram contagiados pela “glória” de Deus que invadiu o lugar. Fica indignado com a “frieza” de alguns irmãos que não entram no “retété de Jeová” e começa a proferir adjetivos nada agradáveis a esses irmãos como “boca de lata”, “sorveteriano”, “gelateriano”, “boca travada” entre outros. Chega a dizer que esses irmãos não vão se acostumar no céu porque lá é lugar de “retété”. Meu Deus!

Para terminar a grande noite de milagres e poder de Deus, chama todos à frente, pedem a uma irmã que cante um, dois, três ou quatro “hinos de fogo”. Aí começa o “reboliço”, como muitos chamam.
Pense agora na igreja. Todos vão ao culto para alimentar-se da Palavra de Deus. Estão sedentos por ouvir o Senhor falar e acabam por ouvir uma pregação vazia e nada edificante. O pior é que a igreja está acostumando-se a isso. Onde iremos parar?

Quando começa o “reboliço” ou clímax do “retété”, aí se vê de tudo. Irmãos e irmãs “dançando no espírito”, pulando, jogando-se ao chão, arrastando-se como cobras, engatinhando como um quadrúpede, rugindo, grunhindo, latindo, piando, quebrando cadeiras, soprando uns nos outros, enquanto o pregador joga seu paletó e sua gravata mágica no meio do povo para fazer alguns caírem ao chão na “unção de Jeová”. E dizem que tudo isso é a liberdade do Espírito.

Uma fila se forma na frente do pregador e ele com seu sopro super-poderoso derruba dezenas de irmãos ao chão. Em meio a gritarias e bizarrias, alguns ainda caem ao chão como bêbados e começam a rir sem parar. É a “unção do riso”. Quando todos já estão cansados, então voltam aos seus lugares, termina o culto e todos vão embora dizendo que o culto foi uma benção. No outro dia (ou no mesmo!) voltam à vida de pecado e frieza em que estavam. Não aprenderam nada, não foram edificados, não prestaram seu culto racional. Apenas sentiram uma emoção que não foi suficiente para transformar ou abrir seus olhos. Porque a fé vem pelo ouvir, mas ouvir a Palavra de Deus e não os gritos ensurdecedores de pregadores despreparados, dizendo que foram guiados pelo Espírito Santo. Não acredito que o Espírito Santo dirija espetáculos como esses que vemos por aí quase todo dia. Acredito num culto com ordem e decência. Sou pentecostal, gosto do fogo, mas do fogo de Deus. Fogo estranho jamais.

Acredito no batismo com o Espírito Santo e sou batizado, acredito no dom de línguas, acredito nas profecias e em todos os dons do Espírito e que eles se manifestam hoje em dia assim como no passado. Creio que a manifestação do Espírito não é estática. Não estou dizendo que devemos fazer um culto parecido com uma missa católica, mas os exageros que ocorrem nas igrejas evangélicas de hoje estão um pouco longe do verdadeiro pentecostalismo: o bíblico.
Precisamos rever nossas práticas e ensinos. Precisamos nos preocupar mais com a qualidade do que é pregado e cantado nas igrejas. Devemos tomar cuidado e combater esses desvios, exageros e em muitos casos, podemos dizer até heresias, porque não conhecemos as conseqüências de tais práticas. A igreja está enfrentando muitas crises e a saída é retornar à Palavra de Deus. Nela, encontramos tudo o que precisamos saber para sempre acertar. Ela é o manual da Igreja. Não há como negar isso.

Precisamos pregar a verdade para que Deus abra os olhos dos lideres. Eles devem ensinar corretamente suas congregações para que todos experimentem qual seja a boa, perfeita e agradável vontade de Deus!

Chega de ensinos como a Teologia da Prosperidade, Triunfalismo, Retété, Cair no Espírito, Unção do Riso, Maldição Hereditária, transferência de unção, Adoração Extravagante, mensagens de auto-ajuda, guerra espiritual, exageros e bizarrias. Chega de sermos egoístas e interesseiros. Chega de ajuntar tesouros na terra e comecemos a granjear almas para o reino de Deus.

Vamos falar de Jesus. Ensinar sobre os dons do Espírito, falar de missões e da igreja perseguida. Vamos falar sobre renúncia e pecado, sobre ser fiel e sobre bom testemunho. Vamos anunciar a iminência da volta de Cristo, falar sobre o juízo final. Vamos pregar o verdadeiro evangelho!

Jesus está às portas e vem buscar uma igreja santa, especial, zelosa de boas obras. Será que estamos preparados?

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